Contra onda de suicídios, projeto de lei quer criar programa municipal voltado para prevenção

Contra onda de suicídios, projeto de lei quer criar programa municipal voltado para prevenção

Contra a onda de mortes de jovens e adolescentes por conta do chamado Desafio da Baleia Azul e a série “13 Reasons Why”, o vereador Rinaldi Digilio apresentou nesta terça-feira (25), o Projeto de Lei nº 267/2017, que propõe a criação do Plano Municipal de Prevenção ao Suicídio em São Paulo. O projeto quer que a Secretaria Municipal da Saúde crie uma rede para a capacitação de seus profissionais com o objetivo de identificar e diagnosticar potenciais suicidas, além de oferecer alternativas de tratamento e promover a divulgação do problema para conscientizar a população.

Dados do Mapa da Violência, feito pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), aponta que o suicídio entre jovens de 15 a 24 anos, cresceu 33% entre 2000 a 2012, saltando de 3,9 casos por 100 mil habitantes para 5,2. Em números absolutos, enquanto no ano de 2000, 72 jovens cometeram suicídio na capital paulista, em 2012, foram 152. Em todo o Estado de São Paulo, o aumento de suicídios entre os jovens foi ainda maior, de 44%, saltando de uma taxa de 3,6 por 100 mil habitantes para 5,2. Foram registrados, de acordo com o Mapa da Violência, 257 casos no ano 2000 e 568 em 2012.

“Por muito tempo acreditou-se que falar sobre o tema incentivava as pessoas a cometerem suicídio. O tempo e os dados mostram que não, ainda mais na era da tecnologia, que afasta os jovens de suas famílias e do convívio social real, e o coloca em um mundo paralelo, permeado por más influências”, afirmou Digilio.

Segundo o boletim SP Demográfico divulgado em 2016, a taxa de suicídios entre a população geral cresceu em 30% no estado de São Paulo, na comparação entre o biênio de 2001/2002 e o de 2013/2014, passando de 4,3 por 100 mil habitantes para 5,6. O PL nº 267/2017 prevê promoções de palestras de capacitação para profissionais de saúde, exposição de cartazes que mostrem sintomas e alertando sobre o diagnóstico, canais de atendimento para diagnosticados e atividades para conscientização.

“Precisamos quebrar esse tabu. Enquanto o Poder Público não instruir e atender corretamente os cidadãos nesse tipo de caso, elas buscarão informações em locais nada confiáveis ou pior, na ignorância, serão levados a cometerem o suicídio porque foram desafiados ou viram em uma série”, disse o vereador.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou o Brasil como oitavo país com mais suicídios, com quase 12 mil mortes anuais e taxa de 6,0 por 100 mil habitantes, crescimento de 10,4% desde 2000. Segundo a OMS, 75% dos casos são registrados em países com renda considerada baixa e apenas 28 nações contam com plano estratégico para prevenção. Digilio é coordenador nacional de jovens da Igreja do Evangelho Quadrangular e tem percebido um aumento do problema em seus atendimentos.

“Praticamente todos os dias, sou contatado por pais preocupados. São jovens que se mutilam na tentativa do suicídio. As famílias devem se aproximar, entender o jovem e ajudar a superar seus desafios. É preciso também que o Poder Público faça sua parte e ofereça uma rede estruturada para esse problema”, disse Digilio, lembrando que estudos apontam cerca de 30% de subnotificação dos casos.

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